Quarta-feira, Agosto 23, 2006
Uma pequena homenagem...
Dona Bugra, Poncho em Lã
(Sergio Saretto)
Um pai-de-fogo guardando
Recuerdos da noite fria
Trazendo uma brasa viva
A prosear de novo o dia
É essa a lida primeira
Que o galo cedo anuncia
E o dia sai para o campo
como a buscar sua cria.
O rancho amanheceu branco
Emponchado em neblina
Num ritual silencioso
Vai cumprindo sua sina
A receita é bem antiga
De se acender o fogão
E o fogo se faz altivo
Quando se bate o tição.
Uma Bugra, Poncho em lã
Sai a andar sobre o campo
Ela sabe que o dia é comprido
E a geada derrete em pranto
Busca um maço de ervas
Ainda molhada da madrugada
Pois Vem gente de todo canto
Pra benzer a gurizada
Este viver campesino
Trouxe aos dias atuais
Ervas que são valiosas
Segredo dos ancestrais
O gosto no mate é desculpa
Ela sabe o que o jujo faz
E pra alma tem boa prosa
Que palavras de alivio traz
Pra o andante dos caminhos
Que precisa de boa prece
Ou o paisano solito
Que por acaso padece
Não a de faltar parceria
Quando o dia amanhece
E bem mais do que o poncho
É a alma que nos aquece
Mas se tu tens um mau-visto
Que requer a benzedura
Confia nessa vózinha
Com atarracada doçura
Faz pra ti uma reza
Pra benzer dos quatro lado
Falando em voz baixa
De "vereda" ta curado
Eu mesmo sou testemunha
Do poder da sua oração
Desde pia sou benzido
De quebranto com a mão
As vez ela usa faca
As vez é uma cruz no rosto
Se tem fé fica curado
Pela mão da Vó do Posto
Quisera que o mundo de hoje
Os comandantes e autoridades
Esquecessem ganância e guerra
E a loucura das cidades
E fosse lá no teu posto
Sem a moderna sociedade
Tirar de um galho de arruda
Uma lição de humildade.
Domingo, Agosto 13, 2006
Baile de ocasião!(com os "poncho" na mão)
Sergio Saretto
Foi na costa do Pelotas
Na beira de um capão
Os home beijando a canha
As mulher com seus "batão"
Um o pirilampo teimoso
Bricava com a cerração
Seis indio bem emponchados
Chegaram lá no portão.
Era esperado na festa
A autoridade da regiao
Era la dos Camargo
Rapaz novo e bonachao.
Seis pingos foram atados
Nos galhos de um "cinamão"
E foram passando pra dentro
Guiados pelo clarão.
A porta era cuidada
Por um tal juca negrão
Homem baixo e sorridente
Mas diziam de muita ação
Pedia pra tirar a espora
e pra deixar ali o facão
Se tivesse algum com arma
Ficava na recepção.
Gritou a dona da festa
Parando a de botão
Um buenas noites a todos
Faz parte da educação
Comprimentado cada um
Apertando mão por mão
foram assim apresentados
na solene ocasião.
Depois da tal cerimonia
Feita para apresentação
Já veio a dona da casa
Com a mais flor pela mão
Entregando a autoridade
Que ao iniciar o refrão
Saiu penerando a rancheira
Iniciando a função.
Um a uma foram saindo
Os que vieram com o figurão
Cada qual com uma prenda
Lhe entregue la no balcão
E a sala que era vazia
De um lado prenda, do outro peao
Foi-se mesclando a porvadeira
Levantada do salão.
E o baile se formou lindo
Com um xot´s e um vanerão
O gaiteiro era um gringo
Sentado sobre um caixão
Pra repicar no costado
Tinha pandeiro e violão
E o surungo seguia
Sem maior complicação
Todos bailavam alegres
Minto, um deles não
Era o piá Laudelino
Que já era uma rapagão
Ele era mal dançarino
E ficou botando carão
E pra ter uma desculpa
E sair bem da situação
Ficou num canto ocupado
Com tudo os ponchos na mão.
Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Essa é em homenagem aos loco bem loco que alem de meus amigos são baaaaaaita musicos..
Obrigado guris !!!
Da esquerda para direita: Jff, Thiago, Fred e eu, trofeu de melhor música inédita com De lança na mão! no Fegarp!!
Abraço a todos..
Saretto