Terça-feira, Novembro 22, 2005
Foto: Fazenda Ferradura , Cajuru- Lages -SC
Corredor do Canto e da Poesia - 4 Pouso.
MENOS QUE DEUS E MAIS QUE DO QUE UM HOMEM
(Rogério Villagram / César Oliveira)
Sombreiro quebrado tapeado pra cima
parece obra prima "co'as aba intanguida"
dois ferros calçados um igual ao outro
e as botas de potro "aquebrantando" a vida
Apegos e ânsias, estâncias e rumos
a sorte um consumo que vem sem sinuelo
pra um homem de guerra que a um sonho se agarra
baguais e guitarras são fletes de um mesmo pelo
baguais e guitarras são fletes de um mesmo pelo
(Estampa surrada, judiada do tranco
d'um baio lunanco, veiaco e malino
a alma um palanque cravado bem fundo
escorando o que o mundo chama de destino)
Lhes falo de xucro e retruco aos demais
que entre baguais anda solto na poeira
um quebra parido num rancho barreado
sobre o chão sagrado da nossa fronteira
Das domas e tropas, das grotas e sangas
bois mansos de canga e rodeios de cria
são coisas que o guasca "templou" com as esporas
"bombeando" as auroras e as barras do dia
"bombeando" as auroras e as barras do dia
(Com a pátria nos tentos e o vento na fronte
o tempo é um reponte que aos poucos consome
o corpo de um taura que um santo benzeu
pra ser menos que Deus, porém mais do que um homem)
Domingo, Novembro 13, 2005
Foto do Orgulho, gateado das confiança, pra parceriar um baita tema campeiro na voz do Lisandro, e eu me largando hoje pra Lages deixo aos amigo um baita abraço !!! Se pechamo no Corredor do Canto e da Poesia.
Na volta trarei estórias e com certeza mais amizades nos pesuelos.
Na estância do sossego
Lisandro Amaral, Guilherme Colares, Cristian Camargo
Diz o Lalinho pro Olavo na cozinha
Toca a tropilha do potreiro do açude
E grita pro Beto lá na mangueira
Levamo os poncho facilita o tempo mude
Um galo corta o silencio da madrugada
A lua nova vem mangueando a escuridão
A cavalhada chega quieta e na mangueira
Vapor de lombo se mistura a serração
Levo a cabresto este meu baio cabos negro
Um companheiro de trabalho e de anarquia
Groseia os casco amolecidos de sereno
Enquanto a dalva reponta as barras do dia
O nego Olavo sai falando nas mimosa
Tapeando a cara de um mouro bruto de freio
E grita o Beto pra baia marca virada
Afrouxa o lombo que o mango te parte ao meio
É no rodeio do sinuelo que sou gente
Abro meu baio pro lado oposto da trança
Um touro berra laçado da meia cara
Garreia o bruto tio lalo que ele se amansa
No fim do dia de volta a hora do mate
De causo e risos que um campeiro não se entrega
Sem nos dar conta resgatamos nossa essência
Enquanto a lua vai nascendo atrás das pedras
Estância velha sossego rincão das palmas
És rumo e norte aonde encontro guarita
Herança bruta timbrada a casco de potro
Lida gaúcha que da força as nossas vidas
Terça-feira, Novembro 08, 2005
Quem sabe Deus Fez a lua
Pensando nos teus olhos
E me vem a saudade tua
E a noite nua traz desejos molhos
Noite de lua eu vejo os teus olhos
Não me consolo em te perder prendinha
Cai a tardinha desencilho o gateado
Nesse compasso assobiando um chote
A noite cai eu penso em você
Cevo um amargo pra o teu beijo ter
Lua de prata que enfeita o céu
Olho o mundéu e a noite se alonga
Quem sabe Deus Fez a lua
Pensando nos teus olhos
E me vem a saudade tua
E a noite nua traz desejos molhos
E no compasso desse chote apaixonado
Saio com passo camperiando uma saudade
Na ansiedade de ver os olhos dela
Que fica na janela mirando o céu imenso
As vezes penso por que tanta solidão?
Tentei pegar lua e estrela com a mão
Numa lagoa que de pronto se formou
Quando meu olhar chorou de tanta saudade dela
Quem sabe Deus Fez a lua
Pensando nos teus olhos
E me vem a saudade tua
E a noite nua traz desejos molhos