Quinta-feira, Outubro 20, 2005
Campeiros
(André Oliveira, Marcelo Oliveira)
Olha a mangueira cavalo ecoa lá do potreiro
Vem se tronpando matreiros sobre o charco do barral
Encostam encontros na forma roncando vento e virilha
Até que toda tropilha mete acara no buçal
Graxa pingando na brasa ronco de mate e cambona
E tilintar de choronas lavrando o chão do galpão
O movimento da encilha deixa a cuscada latindo
E eu adelgaço meu pingo no abraço do cinchão
Quatro galhos bem atados lá na grimpa do sabugo
Que eu sou de pecha refugo contra estronca da porteira
Depois de bem estivado sobre os esteios dos loros
Solto um silbido sonoro pra minha escolta ovelheira
É em direção ao rodeio que se laça terneiro novo
E eu não aprendi no povo esta ciência campeira
Ando sovando cavalos curtindo o couro do basto
Bolqueando rastro de casco benzendo peste e bicheira
Saio ao tranquito pro campo assobiando uma toada
Mirando a estampa encarnada do horizonte fronteiro
A barbela como coscorro duetam com maestria
Regendo uma sinfonia no aço branco do freio
Aparto a vaca com cria é um mandamento pampeiro
Que a precisão de campeiro ta no punho e na armada
Num pealo de sobre lombo abro pra fora o picaço
E o terneiro ta no laço e a vaca com a cachorrada
abraços a todos que visitam este rancho!!!!
Quinta-feira, Outubro 06, 2005
FLOR COLORADA
(Aureliano de F. Pinto, Luiz Marenco)
Mal vai o céu pelechando
Com o ouvir das barras do dia
E o capataz assovia
Ao que ainda a cuia não solta
E o flete percura a volta
Galvoso da companhia
E relinchando a tropilha
Que já descamba na lomba
Se atira empina e se assombra
Honra e gloria do ginete
Que tem por sestro o cacoete
De ir espiando a propria sombra
Virando do meio dia
Quando o sol esuqenta o chao
Putcha é preciso garrao
Pra aguentar-se o tipitim
E os verdes campos sem fim
Doem nas vistas como não
Se o serviço da uma folga
Muito bem que se sesteia
Mas se não com a lua cheia
Tambem se aguenta o serviço
E a indiada amigos com isso
Nem tropica ou balanceia
Gritando por esses fundos
Levantando eguada e gado
Pra um rodeio bem parado
Inté consola um cristao
Ver um rosal chimarrao
Coloreando um banhado
Linda no verde a flor xucra
Golpeada no pajonal
Mas é brabo o tremendal
E o campeiro ainda que penda
Não pode colher a prenda
Daquele jardim bagual
E já no mais cerra perna
E os pingos ao grito se arrima
Flanqueando coxilha acima
Uma pandilha aragana
Eeegua hiju! O egua tirana
Que um corvo te cuspa em cima
Ataca em fim garra o tranco
Dando uma folga ao flete leal
Entao se lembra da tal
Mimando a crina do zaino
Não pode colher a prenda
Ao lenço de um federal
Seu rincao esta realizado
Mas inda ai um que demora
É algum baseado que escora
Nem tem que ver tranqueando
Vai pensando e vai queimando
Um naco inte muito espora
Cor de baeta de poncho
Linda cor que eu gosto igual
Seja em pelo de alimal
Ou quando a res sangra quente
E o sangue vem brabo e quente
Como uma cobra coral
Aquela flor colorada
Tem inda outra parecencia
Porque persica tenencia
Pra um gaucho ver e deixar
A moça flor colorear
Num ranchito da querencia
E já fechado o rodeio
Toca a mudar num recosto
Mudar cavalo isto é um gosto
Fica-se novo e folheiro
Quem que o tobiano tambeiro
De o tigre pra um indio mais disposto
E o indio nesse atropelo
Reconta com bizarria
Irmaos vi uma flor bravia
Lindaça laça o tronado
Cor de coral corcoveando
Da boca de uma sangria.